Comecei a entender o que faço quando percebi que escutar e escrever são, no fundo, o mesmo gesto.
Sou psicanalista, mestre em psicologia clínica, e há anos me dedico ao que talvez seja a tarefa mais exigente que conheço: sustentar com alguém o encontro com o que ele ainda não sabe de si mesmo.
Trabalho na interseção entre psicanálise, literatura e pensamento contemporâneo — não porque misturei campos por escolha estética, mas porque o sujeito humano não cabe em uma única linguagem.
Minha clínica é construída palavra por palavra, sessão por sessão. Não ofereço respostas prontas nem protocolos de bem-estar. Ofereço presença, escuta e a disposição de atravessar junto o que for necessário atravessar.
Escrevo porque preciso — e porque acredito que alguns textos chegam onde a fala ainda não alcançou.
Se você chegou até aqui e algo ressoou, talvez valha continuar.